sexta-feira, 4 de janeiro de 2008

Origem


Às vezes nos pegamos pensando em algum problema no meio ao trânsito, dentro do carro, dentro do ônibus, no corre-corre do dia-a-dia. E em uma dessas viagens vem aquele pensamento que nem se sabe de onde surge e nem o porquê. Ele só vem, sem avisar,e não pede licença pra entrar para já dominar sua cabeça e seus sentidos, te fazendo surdo e cego ao meu aquela zuada estridente de buzinas e ao engarrafamento. Mas, voltando ao pensamento,uma pergunta, que leva a várias outras. É quando você percebe que está vivendo. E quando se percebe que faz a diferença em algum lugar, em algum tempo?! Já disseram que quem pensa,logo existe. Mas você está fazendo exatamente isso, pensando! Mas na sua exustência. Vai-te pensamento, vai-te embora. Como uma criança de 7 anos, ele não te abedece. E continua a tirar sua atenção em meio meio aquela cena clássica de gritos e um "sai da frente irresponsável". E aí você lembra que nasceu do amor de seus pais, ou não. Mas, era um amor muito grande, que suportava até tapa na cara e arranhão no umbigo. E daí você vai parar em uns anos atrás, muitos às vezes, mas que parecem ontem. Sua infância ainda é latente como uma dor de uma queimadura que não te deixa tão cedo. E começam a surgir outras indagações. Por que será que ela não te deixou brincar com aquelas panelas, queria só fazer comida para suas bonecas no fogão. Ah, mas era pro meu bem. Minha mãe sempre cuidou muito bem de mim. Ou não. Deixou-me solto e em nenhum minuto me defendeu contra os gritos de minha tia bruxa má. Por que,hein? Hoje você entende, era porque moravam em sua casa e precisava engolir muita coisa por causa do teto. Ou talvez porque te deixara em troca de uma remada na noite. Como é bom navegar nessa noite, eu entendo ela. Será mesmo? Mas e ai de onde veio? Ainda não respondeu. Você culpa seus pais por não ter te dado a educação. Mas você estudou em toda a vida e foi em particular. O amor deles eram demais, todo esforço pra fugir de um colégio público. Fugir ou enganar por algumas vezes o capitalismo sórdido. Mas e a educação? Já lembrou que eles te deram. Mas falo de outra. A que te ensina coisas que não se vê nas salas, nem se escrevem nas lousas, com giz...hoje é pincel. Essa eles nem tiveram. Não conheceram o Chico, nem o Vinícios, nem a Nara. E você existe? Então retorna a um lugar que nunca viu,talvez. Onde eles nasceram. Quando eles eram crianças. Quando eles eram obrigados a brincar com o fogo. Quando nem conheciam uma escola e muito menos sentaram em uma carteira. E nem tiveram a ousadia de pensar se existiam ou de onde vieram. Quando eles nunca ouviram falar de nenhum tal de Chico, só ouviram o toque do martelo ou os gritos na feira. E então você existe.

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DU-NI-DU-NI-TÊ....SONHO ENCANTADO ONDE ESTÁ VOCÊ....

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