sexta-feira, 4 de janeiro de 2008

"Biografia de um canalha"



"As minhas memórias"


Memória é um enorme saco onde junta-se um amontoado de lembranças algumas inesquecíveis, outras nem tanto. Mas de fato as memórias são horas passadas e depois repensadas. E eu aqui estou para falar de "memórias de minha atual vida". Algumas delas exe-cutadas a poucos instantes: como exemplo: o beijo roubado da secretária.

Às vezes, na minha vaidade velada, pergunto-me: "porque cá estou novamente sozinho?", e a resposta encontra-se bem na minha cintura: uma arma acolhida entre meu talhado abdômen e a virilha.

Alguns anos atrás, Adriana, minha ex esposa, me tocava a face como a desejar-me. Lembro-me do quão era fogosa. Mas o árduo fado de ser o que sou, fez o tempo levar Adriana e junto dela, a paixão.

Tornei-me vazio. Um homem vazio de sentimentos. Não deixei de ser macho, mas deixei minhas sentimentalidades adormecidas dentro de um baú, onde carinhosamente coloquei a seguinte inscrição :"Baú das minhas memórias tristes".

Ano passado, já fazendo parte da minha memória, li um livro do Gabriel Garcia Márquez, cujo título parecia denunciar o vazio de um outro homem: "Memórias de minhas putas tristes". Mas fui feliz ao concluir que embora o tempo seja efêmero, juntamente com a vida,em algum dado momento encontrar a pessoa certa é questão de sorte, isso: eu disse sorte.

Enquanto menino-homem, eu acreditava no amor passagei-ro: amava como um animal, era suntuoso com as mulheres, e elas surgiam aos montes, todas a desejarem o meu "amor". Fui égoísta,desejei sentir sempre mais e mais. Às vezes, amava duas de uma só vez. Naquele tempo, como canta o Roupa Nova "eu tinha estrelas nos olhos e um jeito de herói".

Não sou um "Sapato velho", eu diria que estabeleço-me no meio termo, ainda trabalho com o amor sem pestanejar. Pareço gatuno, sou um noturno solitário que sempre está a procura de uma nova caça.

Mas o que dizer de um sádico solitário? Egocêntrico, narcisis-ta, vaidoso e hipócrita? Sou um rascunho inexplorado para o mistério. Já tentaram me decifrar, mas foram infelizes. Ahhh, estas meninas não sabem agir com os olhos, só agem com a boca.

Eu observo, observo e depois observo novamente. A minha -ação é decorrente de uma longa estratégia, só a executo quando estou certo de que nada falhará. A secretária que o diga: muitas vezes jogou-se em meus braços, sempre usando uma desarticulada desculpa. Hoje eu lhe mostrei como elaborar estratégias infalíveis.Ela riu depois de provar o meu "amor", e disse-me ao pé do ouvido:"vocé é um canalha! Um canalha gostoso". O que dizer nesta hora, calei-me diante da verdade. Eu, afinal sei muito bem onde a minha canalhice esgota-se. E para encerrar, creio ser absolutamente pertinente comentar o que me faz ser assim:elas me usam, abusam, deixam-me esgotado fisicamente... e ainda -querem dominar a minha alma? Não compreendem o meu gosto pela -liberdade e nem aceitam a condição de eu ser um nômade. O que -elas querem eu não posso lhes oferecer.

Nos meus tempos de menino-homem aprendi que liberdade nãoé estar apenas solto pelo mundo. A maior liberdade está implícita no nosso pensamento. E, sinceramente, não pretendo abrir mão dos -meus ... por conta do egoísmo delas.

Anita Fogacci

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DU-NI-DU-NI-TÊ....SONHO ENCANTADO ONDE ESTÁ VOCÊ....

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